Mãe de músico morto há 10 anos pede justiça em júri de ex-escrivão em MG: 'Cicatriz sangra novamente'
Ex-escrivão acusado de matar músico enfrenta novo júri em Poços de Caldas O ex-escrivão da Polícia Civil Thiago Galvão Bernardes vai a júri, nesta quint...
Ex-escrivão acusado de matar músico enfrenta novo júri em Poços de Caldas O ex-escrivão da Polícia Civil Thiago Galvão Bernardes vai a júri, nesta quinta-feira (13), pelo assassinato do músico Júlio Antônio Gonçalves Vilas Boas, em Poços de Caldas (MG). O julgamento é acompanhado pela mãe, que pediu responsabilidade e sabedoria na decisão (veja abaixo). 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Thiago Galvão Bernardes (de camisa cinza) chega ao Fórum de Poços de Caldas para o julgamento em que responde por assassinato de músico Reprodução EPTV Ele responde por homicídio qualificado, sob a acusação de ter utilizado recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual, por supostamente ter alterado a cena do crime após o disparo. A defesa de Bernardes disse que vai se manifestar somente após o final do julgamento. O júri popular começou por volta das 8h30. O tribunal do júri é composto por cinco homens e duas mulheres. Na parte da manhã foram ouvidas testemunhas e o réu, e iniciados os debates, começando pela acusação. Mãe pede responsabilidade e sabedoria Elisa Helena Vilas Boa, mãe de músico Júlio Antônio Gonçalves Vilas Boas, morto há 10 anos em Poços de Caldas (MG), pede sabedoria e responsabilidade no julgamento Reprodução EPTV A mãe do músico, Elisa Helena Vilas Boas, disse que deseja que a longa espera se reverta em justiça, mesmo que a decisão não apague o sofrimento da família. "A cicatriz que já estava feita sangra novamente. Qualquer sentença que sair hoje não vai trazer meu filho de volta, não vai apagar a dor que a gente está vivendo nesses dez anos. Nada do que sair daqui vai alterar essa parte da gente, mas eu espero que esse momento de hoje seja feito com muita responsabilidade, com muita sabedoria, serenidade, que mostre o respeito que uma vida humana tem. É isso que a gente busca: a valorização da vida humana", afirmou. Crime aconteceu há dez anos Estudante de 24 anos foi morto por escrivão da Polícia Civil em Poços de Caldas Reprodução EPTV Este é o segundo julgamento do crime, que aconteceu em maio de 2016. Segundo a denúncia, Bernardes, que era escrivão da Polícia Civil na época, Vilas Boas e outra pessoa estavam em um apartamento consumindo bebidas alcoólicas quando o acusado disparou uma arma e atingiu o músico, que morreu no local. Uma testemunha disse à polícia que, quando chegaram ao local, o escrivão sacou a arma e disparou, aparentemente sem motivos. Após o tiro, o dono do apartamento fugiu do local e acionou o socorro. Quando a polícia chegou, o músico já estava morto, e o escrivão foi encontrado ao lado do corpo, confuso e com sinais de embriaguez. Dois anos após a morte, o então policial civil foi levado a júri popular. Na ocasião, a defesa sustentou que o disparo foi acidental e os jurados desclassificaram a acusação de homicídio doloso (quando há a intenção de matar). Ex-escrivão acusado de matar músico enfrenta novo júri 10 anos após crime em Poços Bernandes foi condenado a dois anos, um mês e 12 dias de prisão. Como já estava preso desde 2016, foi colocado em liberdade após o julgamento. O Ministério Público recorreu da decisão, alegando que ela era contrária às provas do processo, e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais anulou o primeiro julgamento, determinando a realização de um novo júri, que foi marcado oito anos depois, após vários recursos da defesa ao longo dos últimos anos. Bernardes, que trabalhava na Delegacia de Cabo Verde (MG), foi preso em flagrante após o crime. A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais informou que ele foi exonerado em agosto de 2021. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas